quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Quando o carteiro chegou
Estou aqui a convite de Pablo para dar uma agitada no blog de minha queridíssima amiga, Juju Paracundê.
Pablo solicitou que eu entrasse com todo respeito na parada.
Como vocês sabem, nesse negócio de penetrar a alma feminina eu sou bom.
A frase anterior, por exemplo, tem um duplo sentido de cunho sexual. E, no entanto, não o explorei. Prova de que, com cuspe e jeito, a gente vai dar um up na bagaça.
Isto é um preâmbulo que não interessa.
O texto, meu, mas travestido de Juliana, vem abaixo.
Divirtam-se. Ou tentem.
***
"Quando o carteiro chegou
E o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ah! De surpresa, tão rude,
Nem sei como pude
Chegar ao portão..."
Olááááááááááááááááááá, crianças!
Muita gente não sabe, mas eu e Juliana somos amigos há muitos e muitos anos. Desde praticamente crianças.
July, além de uma pessoa iluminada e que, ainda hoje, ensina muito da vida pra gente, me apresentou a uma paixão que me acompanha e há de me acompanhar até o final dos tempos: as cartas.
Quando vim morar em Salvador, com 13 ou 14 anos, trocávamos cartas (sim, queridos, ainda não havia e-mail e essas coisas chiques e internéticas que hoje há). Era um frisson. De semana em semana, ela recebia um monte de papéis amarfanhados de minha parte e me mandava fotos, historinhas e notícias dos amigos distantes, além, claro, das fofocas da galera.
Tudo isso, esse pacote de informações, essa lufada de ar fresco, estes excertos de uma vida que eu havia deixado pra trás, me chegavam semanalmente em elaborados envelopes coloridíssimos, com desenhos e recortes e tudo mais.
Era muito divertido.
E era com muita ansiedade que eu aguardava as cartas de July. Como eu disse, o capricho nas historinhas, nos envelopes, sempre decorados com gracinhas, com piadas privadas, era extremo (e ríamos muito imaginando a cara do povo no correio vendo aquelas maluquices todas). Eu, jovem e sozinho numa cidade grande e estranha, maltratava cada naco de unha com os dentes aguardando o sorriso de July em cada cartinha.
Mais ou menos do mesmo modo como vocês, hoje, aguardam os posts dela.
Ou melhor dizendo: não do mesmo modo, porque carta é diferente de um post. Não apenas no formato.
Carta é uma coisa que se elabora com um outro espírito.
Há uma certa finesse em sentar-se à mesa, tomar uma folha de caderno e se pôr a escrever de si, à mão, para outra pessoa. O tempo de elaboração faz com que se reformule termos, com que se sedimentem pensamentos, com que ideias se enriqueçam.
Mas o papel tem lá a sua crueldade, também, em não permitir que se apague nada escrito nele.
Marcado de maneira indelével, o papel destas cartinhas registra ainda hoje uma fase muito importante de minha vida.
Depois, naturalmente, o tempo foi passando e nossa correspondência foi se aplainando. Muito provavelmente eu comecei a rarear nas respostas, ou a negligenciar o ritmo de responder, e a coisa foi morrendo.
Mas o vício estava instalado: eu me tornei um apaixonado por cartas.
O tempo passou, me adaptei à cidade grande e já não esperava cartas de July: queria, afoito, adolescente, tomar a vida em minhas mãos.
***
Logo depois, começaram a surgir em minha vida as cartas apaixonadas.
Tanto minhas para as primeiras namoradas quanto delas para mim. Quanto ao que escrevi, não sei mais: é bastante provável que muitas destas mensagens, escritas em apaixonadas noites insones, tenham ido parar na lata do lixo, rasgadas, feitas em picadinho (quer algo mais catártico - e emblemático - do fim de um relacionamento que fazer em pedaços aquelas promessas de amor eterno que não se realizaram?).
Mas das cartas que recebi, sei bem: em envelopes cor-de-rosa, envolvendo papéis rebuscados e perfumados, promessas de amores que nunca iriam se acabar. Cada carta era lida, relida e dissecada milhares de vezes, e eu buscava, em cada espaçamento, em cada derrapada de caneta, o sentido oculto daquilo, o sentimento que movia cada traço. Na caligrafia sinuosa, delicada e sensual de cada carta que recebi de uma mulher na vida, está muito de mim, também.
Talvez por isso nunca rasguei uma carta de amor que recebi na vida.
Aprendi a respeitar o que elas carregam: o devotamento, mesmo que passageiro, de uma pessoa por outra.
Não sou uma pessoa passadista, nostálgica ou apegada às coisa do passado. Adotei com entusiasmo o icq, os e-mails, e tudo o mais. Mas guardo uma certa saudade do tempo em que uma carta mudava toda a sua vida.
E você, querido leitor, já teve o prazer de receber - e enviar - uma carta para alguém?
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Notícias que podem mudar o mundo
Ladrão fantasiado de Teletubby é acusado de roubo no Canadá
Ladrão tinha cerca de 1,88 m de altura e pesava entre 90 e 110 quilos.
Vítima foi abordada pelo bandido fantasiado durante o Dia das Bruxas.
Do G1, em São Paulo
Um ladrão usando uma fantasia do Teletubby roxo (Tinky Winky) está sendo procurado pela polícia de London, no estado de Ontário, no Canadá, acusado de roubo durante o Halloween, o Dia das Bruxas, segundo a emissora "CTV".
De acordo com a polícia, a vítima disse que estava caminhando sozinha pouco depois da meia-noite de sábado (31), quando foi abordada por um homem armado que usava uma fantasia de um Teletubby.
A polícia informou que o suspeito mandou a vítima entregar o dinheiro e, em seguida, fugiu a pé. Segundo descrição feita pela mulher, o ladrão tinha cerca de 1,88 metro de altura e pesava entre 90 e 110 quilos.
Essa notícia é a cara de cabeça é ou não é?
Bjs ou equivalentes tecnológicos.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Olá amiguinhos
Pra começar, deixa eu explicar:
Quem vos tecla não é Juliana a dona deste castelo, mas Pablo o conquistador.
(Pra sacar a colé de merma), pra entender melhor clica aqui.
Entendeu direitinho? Então pra começar, a lambança da andança da criança, desejo a todos uma boa semana e todas aquelas coisas sensíveis que pessoas sensíveis como Juliana desjariam.
Bjs ou equivalentes tecnológicos.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Envelhecer
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
16 de setembro de 2009. Eu nasci sim de novo!
É muito lugar comum se dizer "como eu amo minha vida". Todo mundo diz. Sempre! Nas novelas de Manoel Carlos, nas propagandas de iogurte, nas conversas em geral e nas igrejas nos dias de domingo. Mas nada torna essa frase tão verdadeira quando você dá de cara com a morte.
Eu acordei no meu terceiro dia de internação achando que estava com gases. A respiração curtinha, o ar que eu conseguia puxar não era suficiente para oxigenar todo meu corpo e a sensação de desconforto era grande. A dor abdominal estava mais aguda e todos os meus órgãos doiam. Não havia conforto em andar, em sentar, em falar, em deitar. O mal estar era geral. Eu não sabia o q estava acontecendo comigo. Eu nao sabia que era tão grave.
O resultado do ultrassom do dia constata água na pleura, água em grande quantidade na cavidade abdominal, vesícula inchada com líquido em seu interior. Não precisava ser expert para entender q algo de errado estava acontecendo. Meus capilares não estavam conseguindo segurar em seu interior o soro que eu estava tomando havia 3 dias. isabelle, Neto, Pablo e médicos me cercavam. A única recomendação que me deram era de que eu fizesse bastante xixi. O máximo de xixi que eu conseguisse. Me pareceu bastante sensato. Mal sabia eu que, naquele instante, a reunião médica chegava a conclusão de q o melhor a fazer se meus rins não correspondessem à expectativa era me intubar e me manter sedada na UTI. Eu não sabia, Cabeça não sabia. E talvez isso tenha sido o ponto de partida para o milagre. Como se soubesse a gravidade da situação, meus rins funcionavam a toque de caixa! No fim da tarde eu já conseguia falar sem tanta dificuldade. Os rostos inalterados dos médicos não me diziam nada. Admiro essa capacidade deles de, nas maiores adversidades, manterem a calma e a serenidade no semblante. Dra. Cylena continuava a vir todas as manhãs me fazer massagens nos pontos de tensão. Eu permanecia calma. Em nenhum momento tive medo. Em nenhum momento me desesperei. A esperança brotava no meu coração e eu não me sentia a salvo, mas me sentia bem assistida o suficiente para confiar. E fiz tanto xixi, mas tanto xixi...
E foi nesse dia que eu renasci. Foi neste dia que tudo mudou. Foi neste dia que a Juliana se reinventou. E é sobre isso o próximo post!
Por esta hora, podem me dar os parabéns! Ano que vem, dia 16 de setembro, com certeza minha casa estará em festa!
domingo, 20 de setembro de 2009
Estou de volta! Estou em casa!
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Médico é tudo a mesma bosta!

Tinha uma mocinha na minha frente. Uns 25 anos, vestida como gente normal, o cabelo de gente normal. Ao meu lado uma senhora muito distinta. Não tinha cara de doidivanas. Até aqueles colares de pérolas enormes me pareceram normais. Via várias pessoas como ela no Shopping Barra.
Ao meu lado esquerdo um senhor. Ele me pareceu bem normal até o momento em que começou a distribuir panfletos para nos convencer que ele estava a salvo e de como o deus malvado dele ia me mandar para as profundezas do inferno pq eu não sigo seus mandamentos.
Se ficasse só nisso tava bom! O problema foi que ele começou a pregar causando um mal estar geral! Eu e minhas duas companheiras aspirantes ao hospício (não via outro motivo para estarmos ali na sala de espera de uma psiquiatra) nos calamos e fizemos cara de poucos amigos. A
cho q ele entendeu. Parou de falar.
Talvez tenha sido isso que me convenceu a ficar ali.
A médica não demorou a chegar. Havia passado 10 minutos do tempo previsto. Ela era uma senhora bem apessoada. Vestia roupas de tons neutros. O cabelo era bem cortado. Fios brancos se misturavam a mechas loiras. Não me parecia maluca... esperava ela com vestido roxo de bolas verdes de tamanhos diferentes, cabelos desgrenhados e um óculos de casco de tartaruga que ficaria melhor num museu de arte contemporânea. Não, não... ela era bem normalzinha e isso me decepcionou um pouco.
Todo mundo tão normal quanto eu... estranho!
Pensei em sair correndo e dizer q tinha lembrado de algum compromisso inadiável. Mas fui a primeira a ser chamada. E isso foi feito com tanta rapidez que só tive tempo de me levantar e entrar na sala.
Era uma sala bonita. Meio desorganizada mas bonita. Um armário só de remédios... outro só de livros. Um divã. Me dei conta de que adoro divãs! Dá um ar chique no ambiente. Ela me pediu que sentasse:
-Quem te encaminhou para cá?
-Tanta gente... nem sei...
-Tanta gente assim?
-É...
Eu realmente não sabia como começar uma conversa com uma psiquiatra. Ela me fez muitas perguntas. Muitas mesmo! Desde o meu nascimento. Eu fui me soltando e contando tudo que me fazia estar ali naquela hora. conversamos uns quarenta minutos. Até assessoria sobre um paciente autista dela eu dei!
-É Juliana, você tem um transtorno de ansiedade e um traço de compulsão que devem ser hereditários. Vou te passar dois medicamentos associados. Você não poderá beber durante o tratamento. Mas de antemão, você precisa mesmo é de uma terapia. Resgatar os motivos desta ansiedade toda.
-...
O q é que eu ia dizer a ela???? Que eu realmente achava q eu tava precisando de medicamento tarja preta??? Sai de lá intrigada... quase decidida a rasgar a receita. Guardei ela na minha agenda para o caso de uma eventualidade. Afinal, sempre é bom uma receitinha tarja preta para tempos de guerra.
Na semana seguinte estava eu na sala de espera novamente. De uma clínica geral. Estava na verdade ali com um único objetivo: convencer ela a tirar a sinvastatina do meu enorme leque de medicamentos diários. Estava tranquila, afinal, todo mundo vai a clínicos! Eles são pau para toda obra! Se você nao sabe o que você tem, BATATA! Vá num clinico! Estava feliz por estar lá! Adoro médicos!
- E então Juliana, o que te traz aqui?
- Bem, é tanta coisa Dra. Eu acho que tá na hora de parar com a sinvastatina, afinal, meu colesterol já está dentro da normalidade e eu tou tomando remédios demais! Um absurdo isso!...
E falei, falei, falei por mais de 20 minutos sem parar. Ela de vez em quando fazia uma cara meio engraçada, que eu esperava que fosse a cara de uma psiquiatra, e não de uma clínica. Então, quando eu consegui parar de falar ela começou:
-Juliana, você não pode parar de tomar a sinvastatina! Nem nenhum outro remédio que você tá tomando. Tudo q você tem é crônico e necessita... patati patatá!
Quando eu já estava abalada o suficiente por descobrir que tudo o que eu sei sobre dislipidemia não é nada do que realmente existe ela me solta a pérola:
-E tem mais, você tem um transtorno de ansiedade sério que precisa ser tratado! Vou te encaminhar para uma psiquiatra...
-Eu já fui em uma!
-E ela não te passou nadinha???
-Bem, na verdade ela passou...
-Ah, então ainda bem que vc já está tomando a medicação...
-Eu não tou não... acho que eu não preciso...
-Mas é claro que você precisa e é urgente!
Lá vou eu para a farmácia, gastar todo meu salário do mês em sinvastatina e remédios tarja preta... pelo menos não sobrou nadinha para eu beber... Os remédios estão começando a surtir efeito! Tanto é que eu tive paciência para sentar e contar esse caso para vocês.
